quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dúvidas

- De verdade mesmo? Bem, acho que nunca. Se for mesmo para confirmar, tipo sim-ou-não, então é não. Mas é que só vontade não vale, né? Bem que poderia. Enfim. Então eu acho que é não. Mas também não é tipo cem por cento, sabe? Aquela coisa, tipo, sei lá, entende? Nossa! Você às vezes me confunde. Tudo bem, tudo bem, você nem perguntou nada, eu já sei. É que conheço seu jeito, então eu acho que é isso que está pensando. Viu só como eu sei? Agora, sobre aquela outra coisa de ter vontade ou necessidade, quem sabe, como você falou, talvez até uma coisa tipo compulsão – acho meio exagerado, sei lá – eu acho que é meio difícil eu te dar uma posição assim fechada porque eu ainda meio que não digeri essa coisa ainda, sabe? Então, aí fica complicado eu querer concluir algo que não foi digerido ainda, mas tipo, assim que eu concluir eu te falo, lógico. Eu estou naquela fase de dar uma repaginada na minha vida, relendo meus momentos mais profundos, tipo assim, com aquele significado especial, que possam ter feito algum estrago no meu ego, que já não é lá aquelas coisas, né? Não faz essa cara, poxa! Espere eu concluir, por favor! Você nem espera e já vai falando, quer dizer, fazendo essas caras. Tudo bem! Nem precisa falar, vá. Eu te conheço mesmo e sei perfeitamente o que está querendo dizer, nem precisa abrir a boca. Do mesmo jeito que eu sei que falo um pouco demais, tipo verborragia e tal, mas é que eu sou assim e pronto. Pelo menos nisso eu tenho certeza absoluta. Falo demais, penso demais. Quer dizer, acho que falo, não sei. Até as pessoas às vezes ficam um pouco impacientes comigo, tipo fala-logo-que-já-to-saindo, sabe como é? Então. Às vezes rola algo assim, entende. Eu sei que você sabe também. Aliás, você sabe tudo, que saco! E não faz essa cara de novo. Sorte sua que nem estou na TPM, né? Então. O que eu estava falando mesmo? Nem eu sei... Ah, a coisa da verborragia. Isto não me chateia, sabe? O que me chateia mesmo é essa coisa do tempo voar e eu nem perceber que ele passou. E agora você me aponta o relógio com esta cara de cínico? E eu te pago pra isto? Não vai dizer uma palavra sequer? Uma só, por favor, vá. 
- Tchau.
- Ás vezes eu te acho um traste, sabia? – ato contínuo, levantou-se do divã e foi embora, deixando o dinheiro da sessão sobre a mesa do consultório.

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