sábado, 16 de novembro de 2013

Filhos - Texto 3

D.
Ela nasceu num lindo sábado de aleluia, que parecia mais radiante que o normal.
O céu parecia mais azul, e todas as outras cores não deixaram por menos.
Quando me mostraram o embrulhinho de dentro do berçário, fiquei meio atônito, sem saber o que pensar. Ela tinha aquela carinha inchada, meio avermelhada, os lábios rubros e os olhos fechados.
Bonita, não era, nem poderia, mas porque aquele sentimento de estar diante da coisa mais especial que podia existir no universo? Que estranha experiência seria aquela que me dominava por inteiro?
Acho que aquele foi meu parto. As pernas bambearam e me deu uma vontade de chorar. Aliás, foi a partir daí que tudo o que falei sobre as cores do dia me tocou. É um azul que não esqueço.


Um azul que pertence a nós dois, de um sábado de aleluia que jamais se repetirá e por isso é eterno.

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