domingo, 17 de novembro de 2013

Filhos - Texto 4

C.
Foi um dos meninos de melhor astral que já conheci, e também um dos mais dramáticos. Tinha a capacidade de estar no paraíso agora, flutuando e imediatamente mergulhar na profunda tristeza, contendo o soluço, fazendo bico e inundando os olhos de lágrimas por um simples não, mesmo que fosse temporário, circunstancial.
Destemido, atirava-se em aventuras de fazer inveja a qualquer um, como pegar uma bicicleta – daquelas de rodinha nas laterais – aos dois anos e despencar uma ladeira de terra e pedras e voltar todo arranhado pelo tombo com aquele sorriso estampado no rosto: “cê viu, pai?”

Não parava um segundo, exceto quando desmaiava de cansaço à noite. E logo cedo lá estava ele na minha cama, dando tapinhas na minha bochecha: “paiê- paiê- paiê- paiê“ e quando eu abria os olhos, mal humorado, lá estava aquele sorriso escancarado de novo e minha única alternativa era cair na risada, completamente rendido.

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