sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Filhos - Texto 2



 G.

Um jeitinho todo charmoso – ainda o tem, mas mais dissimulado – dominava seu jeito de ser. Fosse para sentar ou andar, meio com jeito de uma enguia, descrevendo suaves curvas no trajeto, como que a sublinhar seus atos.

Caso tivesse em mente alguma solicitação ou conquista, digamos um doce fora de hora, uma liberação extra de algum brinquedo temporariamente proibido por discussão com a irmã ou coisa do gênero, o riso ficava um pouco mais simpático, o dedo indicador tocava os lábios, os olhos – adornados por grossas e negras sobrancelhas e cílios que pareciam postiços – mirando algum ponto distante e sua aproximação era em círculos, aliás, mais para um movimento de caracol, fechando-se sobre a vítima.

Perguntava como não quisesse nada, como se fosse uma simples curiosidade sobra algo sem o menor significado.

A negativa, que parecia ser já contabilizada, a fazia, de pronto, mirar seu foco para outro lado sem essa mais aquela, como se nada estivesse acontecendo, mas no caso da positiva,, na maioria das vezes ela sorria e parecia reprimir a comemoração pela vitória para não dar o braço a torcer ou expor sua tática.

A minha estrategista predileta.

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