terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Merry Christmas

Linda, charmosa, agitada. Gentil, por não fazer diferença entre rico e pobre; cão ou gato; carro, bicicleta ou ônibus; banqueiro, bancário, camelô. A Avenida Paulista é assim, hospitaleira, agregadora, confluente.
Principalmente no Natal, com tantas luzes e cores, que encantam e hipnotizam. Os bares cheios nestas quentes tardes com a rapaziada batendo papo, tomando chope e beliscando um aperitivo qualquer, seja qual dia da semana for.
Mas à noite e no fim de semana, mais gente acorre a ela. Milhares de celulares, máquinas portáteis, semiprofissionais, profissionais, milhões de fotos que viajarão o mundo exibindo tanta gente contente, em frente aos enfeites que disputam em tamanho e beleza.
Mas, verdade é que, em determinados momentos, quem vê uma foto lá na china, não poderia jurar que aqui não é uma típica cidade americana. Um vídeo, com a gravação do som, menos ainda.
Justifico. Ao se aproximar do imenso enfeite de Natal que atravessa a avenida de lado a lado, vê-se um Papai Noel gigante, com uma roupa polar e aquela barba branca, cercado por elefante, zebra, pinguim, urso, rato gigante, alces, neve. Na avenida, onde faz trinta graus. Nem um único animal da nossa fauna. E ininterruptamente, musicas natalinas cantadas em inglês.
Não senhores, não sou Policarpo Quaresma, nem pretendo ser um arremedo dele, sequer.
Entretanto, cá entre nós, é por isso que está cada vez mais insuportável este tal de Natal. Todo mundo louco, correndo comprar, comprar, comprar, ouvindo Jingle Bell interpretada em inglês, tirando fotos com o gorduchinho simpático, pois admitamos, o que é bom para os Estados Unidos, é bom para nós, e eles são o povo mais consumista que existe.
Feliz Natal my ass! Então que seja Merry Christmas!
Enquanto isso vamos ultrapassando o sinal vermelho, pisando no acelerador para não dar passagem ao outro carro, não olhando para o vizinho no elevador para não precisar falar bom dia, não agradecendo algo que lhe tenha sido bem feito, ainda que por obrigação ou profissão, sonegando um sorriso ou um abraço, se envergonhando de declarar amor, ficando com preguiça de pegar o telefone e ligar para alguém só para dizer que está com saudade, não perguntando se está tudo bem para alguém que chora sentado no banco da praça, deixando de ser gentil, amável, carinhoso, caridoso, compreensivo, bem humorado, altruísta, humilde, atencioso.

Por favor, vamos fazer um Natal feliz. Nós temos que fazer o Natal feliz e não desejar que os outros o tenham. Tentarei a minha parte. E você?

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