quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Sonho ou crônica?

Você estava sentada de lado, com as pernas fletidas sobre o sofá, deixando os joelhos mostrarem como eram belos, assim como suas coxas, que o vestido vermelho exibia até a metade, e, sendo ele curto e algo justo, modelava majestosamente seu corpo como um todo, e o decote dava um toque especial aos seus seios, moldando o colo que hipnotizaria o mais frio dos homens, por ter o tamanho certo, sem exageros.
Cabelos fartos, cortados rente à nuca, um par de brincos em ouro branco e diamantes e a maquiagem sensual, com riscas marcantes nas pálpebras e o batom rouge completavam o quadro magnifico, sem dar chance que qualquer desejo de retoque.
Seus olhos negros entretanto deixavam transparecer uma insegurança, e a forma como você levou o charuto à boca, que estava entre os dedos de sua mão direita, fazendo um bico desajeitado, de quem não sabia como faze-lo, e a sua mão esquerda que antes da excursão do charuto à boca, acariciavam a própria perna, agora estava indecisa, vagando entre um roçar das unhas longas e ferinas no joelho e o lóbulo da orelha esquerda, às vezes nas pontas dos cabelos.
Pensei que você fosse engasgar com a fumaça, pois quando a puxou sem tragar, não assoprou com a força suficiente para que ela fosse para longe do seu nariz, mas me surpreendendo, você a aspirou pelo nariz mesmo, me olhando de lado.
O ambiente com pouca iluminação, que antes lhe dava o toque de mistério tornou-se somente escuro e as sombras intimidadoras.
Talvez eu não lhe tenha dito, talvez você não tenha ouvido quando falei, mas isso não tinha mais importância; nenhuma mesmo. Todavia, sinto necessidade de dize-lo.
Não negue sua natureza assim, dessa forma.
Deixe que seu perfume me inunde até me sufocar.
Use essas unhas ferinas para me acariciar até que fique totalmente dominado pelos arrepios, fazendo com que eu vibre e viaje com cada pelo eriçado do meu corpo.
Esta sua boca sensual, macia e carnosa, me beijando até que eu me desfaleça no seu colo, colocando-me num lugar cercado de branco e azul celeste até me cegar.
Mas, ao invés de pegar este charuto asqueroso no final, abra seu peito, escancare seu coração, entregue-o a mim pulsando e se deixe inundar pelo meu amor.

Só isto poderia nos salvar.

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