sábado, 15 de abril de 2017

Bolero


Sentia agora como estivéssemos nos passos de um bolero.
Cada acorde levava seu corpo em ondas suaves e que, num continuum, mantinham seus movimentos como ondas. A sensualidade das notas casando com seu corpo, que, flutuantes na nuvem melodiosa, tecia nas suas curvas ondas que me envolviam, como que me guiando ao próximo passo, ao mesmo tempo que me dava a sensação de conduzi-la, fazendo-me indagar se não seria este o par perfeito.
Um vento suave e ao mesmo tempo embebido de sentimentos nos envolvia e nos levava; mostrava ternura, tecida pelo afeto, força gerada pelas notas da paixão que a partitura agora nos impunha. As notas desenhando as frases em combinações que nos faziam sonhar.
Os passos, que a cada compasso se firmavam, nos guiavam por caminhos desconhecidos daquele salão infinito, de uma luz de tons indescritíveis e perfumes de flores desconhecidas.
Dança comigo até que a música acabe, eu pedi. Deixe que te leve até onde o salão termine, implorei.
Para que, quando lá chegássemos, no fim do salão, no final da música, esperássemos pela próxima, pois dançar era só o que sabíamos.
Nada mais.



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